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Case de produto · IA em saúde

Defini a estratégia, prototipei e desenhei a UX de um produto de triagem oncológica com IA

2 pilotos
Com operadoras Unimed (VTRP e Caruaru)
200 mil mulheres
Potencial mapeado na parceria com Fleury, em discussão
R$ 315 mil
Economia estimada no piloto da Unimed VTRP vs o rastreio padrão

Sumário executivo

Na Huna, entrei como Product Manager, na função de AI Product Lead, para definir do zero a estratégia de um produto de triagem oncológica assistida por IA, incluindo o algoritmo de apoio ao rastreamento de câncer de mama. Fui responsável pela estratégia de produto, pela prototipação completa e pela UX da plataforma, num time enxuto de estágio inicial ao lado dos cofundadores Vinicius, Marco e Daniella.

A Huna é uma healthtech brasileira, spin-off da Kunumi (empresa de IA fundada pelo professor Nivio Ziviani, da UFMG), que usa um modelo proprietário de machine learning para identificar padrões de risco de câncer a partir de exames de sangue de rotina, como hemogramas e outros biomarcadores. É a mesma linha de pesquisa que a equipe já tinha validado durante a pandemia, detectando Covid-19 via hemograma, com resultado publicado na Nature. Nenhum marcador isolado tem poder preditivo relevante sozinho; a força do modelo está em combinar dezenas deles.

O trabalho não era só definir o produto: era desenhar como automação inteligente e supervisão clínica convivem quando o erro tem consequência real, e como comunicar isso, em interface, para um setor que desconfia, com razão, de caixas-pretas.

Público-alvo

O cliente direto eram as operadoras de saúde e seus times clínicos: quem decide adotar uma ferramenta de apoio ao rastreamento e quem usa o sinal do modelo no dia a dia. A beneficiária final era a paciente com rastreamento atrasado, como as cerca de 5 mil mulheres com mamografia em atraso identificadas na base da VTRP, que o produto buscava ajudar a reengajar.

Contexto

Healthtechs que tentam vender IA para operadoras de saúde no Brasil costumam pitchar o desafio errado. A expectativa é que o problema seja o modelo: acurácia, poder preditivo. Na prática, mesmo operadoras sofisticadas têm boa parte da base sem dados estruturados: laudos em PDF, prontuário fechado, decisões clínicas históricas presas em sistemas legados em que ninguém quer mexer. Não é falta de dados, é falta de estrutura usável.

Foi essa barreira, operacional, não técnica, que definiu boa parte da estratégia de produto na Huna. Em conversas ao longo de 2023 com operadoras como Unimed VTRP, Unimed Caruaru e Pipo, o padrão se repetiu: quem resolve o gargalo de extração e integração de dados chega antes de quem só otimiza o modelo.

Abordagem

Discovery estruturado antes de qualquer tela

Liderei um processo de discovery com hipóteses testáveis e priorização explícita por impacto clínico e viabilidade técnica, não por quão interessante o problema parecia do ponto de vista de IA. Isso significou colaborar de perto com o time clínico e com o COO para calibrar onde o modelo realmente aliviava carga de trabalho sem introduzir risco.

Estratégia, prototipação e UX de ponta a ponta

Além de definir a estratégia de produto, fui responsável pela prototipação completa e pelo desenho de UX da plataforma: do fluxo de triagem que o time clínico via internamente até a forma como um resultado de risco era apresentado para quem precisava agir sobre ele. Em uma equipe enxuta de estágio inicial, isso significou desenhar a experiência com a mesma disciplina de discovery usada para o produto como um todo, sem separar "decisão de produto" de "decisão de interface".

Rotina de discovery contínuo com operadoras

A rotina que sustentou o trabalho no dia a dia era direta: pipeline de parcerias e vendas organizado no Hubspot, backlog de produto e árvore de oportunidades mantidos no Miro, e discovery contínuo com operadoras de saúde, alimentando personas e conteúdo do blog sobre o HUPE e câncer. Também apoiei o recrutamento de uma vaga de médico para o time.

Decisões difíceis

Acoplar, não substituir

A mesma lição que valia para dados valia para o produto inteiro: operadora não quer trocar o prontuário, quer somar uma capacidade em cima do que já usa. Toda a proposta de integração foi desenhada como camada complementar aos sistemas existentes (prontuário, aplicativo, dashboards), em vez de pedir substituição, que é a proposta que trava vendas B2B em setores com sistemas legados consolidados.

Supervisão clínica por desenho, não por acidente

Estruturei fluxos híbridos em que o modelo sinaliza e prioriza o risco, mas a decisão clínica final fica com o profissional de saúde, deliberadamente, dado o contexto crítico. O trade-off era claro: um fluxo mais automatizado teria sido mais rápido de construir e mais fácil de vender como "IA que decide", mas errar nesse contexto tem consequência real. Isso incluiu desenhar a interface tanto quanto o modelo: como comunicar confiança, incerteza e limites do algoritmo para quem vai agir sobre aquele sinal.

Resultados

Nessa fase da empresa, o sucesso não se media em métricas de escala, e sim em validação: pilotos rodando, portas abertas com operadoras e parceiros grandes, e um padrão de integração de dados em saúde que segui aplicando em funções posteriores.

Principais aprendizados

Ferramentas e métodos utilizados