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Discovery

Em product sense, fundamente a dor antes de abrir soluções

A solução só entra depois que as dores foram levantadas, fundamentadas e priorizadas. Escolher uma dor às pressas é justamente o erro que essa etapa existe pra revelar.

Isso ficou muito claro pra mim me preparando pra uma etapa de product sense de entrevista. O objetivo declarado da etapa é entender como o candidato enxerga posicionamento, segmentação de mercado e usuários. O roteiro segue uma ordem deliberada: olhar de ângulos diferentes, levantar as dores dos usuários, não se apressar em escolher uma delas, fundamentar as dores, priorizar quais são maiores ou mais fáceis de resolver, e só no final, listar várias soluções possíveis.

O ponto central está na sequência. A tentação natural, em entrevista ou no trabalho real, é travar na primeira dor que parece interessante e correr pra uma solução. O roteiro inverte esse impulso em três movimentos:

  1. Ampliar. Várias dores, vários ângulos.
  2. Fundamentar. Por que essa dor importa, pra quem, com que intensidade.
  3. Priorizar com critério explícito, comparando o tamanho da dor com a facilidade de resolvê-la.

Só então o espaço de soluções se abre, e ainda assim no plural: listar várias soluções possíveis, em vez de defender a primeira ideia de estimação.

Essa é a disciplina básica de discovery, não só um roteiro de entrevista. A mesma ordem serve pra revisar o pitch de uma funcionalidade, estruturar uma conversa com stakeholder ou criticar um roadmap: se a solução aparece antes de a dor estar fundamentada e priorizada, o processo andou de trás pra frente.

Vale o espelho na hora de avaliar candidatos também: quem apresenta solução na primeira frase mostra exatamente o comportamento que a etapa foi desenhada pra filtrar.